“Clara estava caminhando quando foi abordada por um morador de rua. Ele estava maltrapilho, sujo e mal-cheiroso, e naquela hora o medo tomou conta de Clara. Com uma voz baixa e mansa ele a fez um pedido.

“Moça, tenho fome, pode me arrumar algo pra comer e um pouco de água?”. Mais que depressa ela atravessou a rua, foi a um restaurante e deu a ele o que a pediu.

Enquanto comia, ele contou sua historia. Disse que era dono de um supermercado numa cidade do interior, tinha família, filhos lindos, até que as coisas começaram a mudar. O comércio já não ia bem, ele não conseguia sustentar sua família. O tempo foi passando e sua esposa o deixou, levando os filhos com ela – seus amigos sumiram.

Ele perdeu o empreendimento, a família e não demorou muito para perder sua casa. Tentou emprego em vários locais, mas nenhum o chamara. A um ano ele mora na rua, dorme em baixo das pontes ou onde consegue abrigo. Come o que é jogado no fim do dia em alguns restaurantes da região, sobrevive do que encontra ou da solidariedade de pessoas como Clara.

Ele a agradeceu, não só pela comida mas por tratá-lo como cidadão. Já havia se esquecido do que tinha sido capaz de conquistar, mas pela bondade de Clara ele viu que ainda há esperança. Ele se despediu e disse que seu nome era José.”

Quantas vezes viramos as costas para alguém ou julgamos as pessoas por sua aparência? Quantos Josés já morreram de fome, frio ou doentes pelo desprezo daqueles que se esqueceram que são feitos de carne e osso?

Por um mundo com mais pessoas como Clara. Por uma sociedade que ajude os Josés.

 

Juliana Torres

 

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